O vírus do amor…



Assim como dizem que você só conhece alguém quando se separa, você só conhece o amor quando tenta se separar e não consegue. O amor é aquele suspiro involuntário que aparece com a aparição do ser amado. E aí você pensa: ‘Pronto, estou a salvo!’. É aquele olhar de compreensão sem precisar dizer uma só palavra. É você não conseguir lembrar-se da sua vida antes daquela foto de anos atrás, ainda do tempo do filme de poses, onde timidamente estão sentados em uma rede.

Certa vez li uma reportagem onde dizia que as mesmas substâncias que povoam o nosso organismo na hora do orgasmo são as que matam a paixão. E depois de várias explicações médicas e técnicas me convenci de que isso é bem provável e talvez explique várias outras coisas. Mas a que mais me chamou atenção foi essa de que o prazer mata a paixão. E podemos também pensar com isso que se a sua paixão sobreviveu a extremos bombardeios de prazer, é porque tinha paixão de sobra aí… E paixão de sobra, além de tantos outros problemas e uma vez bem administrada, com certeza se transforma nessa doença chamada amor.

E aí você sai, se distrai, ri, bebe um pouco, bebe bastante e tudo o que te rodeia, além de todos à sua volta por conta dos goles a mais, é a certeza de que aquela pessoa que te acompanha a anos é a que te completa. Ou a que te incompleta, como preferir. E quando você se apaixona até pelos defeitos então, é caixão! Aí já era…

Para finalizar, o meu discurso sempre foi em favor do amor. É ele que move o mundo. Que move o meu mundo. Sem ele não sou, não vivo e nem respiro. Ainda que me traga sempre toda a dor e a incerteza que é capaz de me trazer…

Amor para recomeçar



Ainda bem que eu não te amo. Só assim posso escrever um pouquinho sobre você. Cá estou eu sentindo a tua falta. Te procurando. Procurando me irritar com alguma coisa que você faça. Porque sempre haverá algo em você que me irritará profundamente. E desta vez foi a falta dos teus pés se mexendo na cama, até o sono te pegar de vez. Ainda bem que eu não te amo! Como seria possível amar alguém tão diferente de mim? Já nem me arrisco a fazer essa pergunta para as (poucas) amigas mais íntimas por dois motivos. Primeiro: Elas me bateriam na cara e só depois me explicariam que já estão de útero cheio desse assunto. Segundo: Nada mais que eu argumente as fará mudar a opinião de que essa história acabará em um lindo dia de domingo, com os cachorros lambendo as crianças e a caipirinha correndo a solta à espera do almoço. Ufa! Ainda bem que não te amo! Eu digo a elas: é impossível! E elas: Tá bom! Não é feito pra dar certo. O teu amor é uma loucura que a minha vaidade quer. Olhos claros, rosto meigo, corpo em forma, voz doce, sorriso arrasador. Bonitão, engraçado e safado. Todas se apaixonam. Ele que finge que não vê. Que mulher não se apaixonaria por ele? Eu. Eu não me apaixono mais por ele. O que significa que agora podemos nos relacionar. O que significa que agora posso sentar tranquilamente na pizzaria e pedir minha coca-cola sem me importar com o seu olhar de desaprovação dizendo que-engorda-e-faz-mal-e-etc-e-tal e ter que engolir a seco o seu suco-natural-da-fruta-mais-excêntrica-que-vocês-tiverem-sr.garçom. Em outros tempos eu tomaria um suco natural de laranja sem gelo e com sabor azedo e depois me jogaria no chão chorando querendo entender porque ele não entende que eu adoro suco, mas naquele exato momento gostaria de tomar coca. Significa que agora posso abandonar tranqüilamente (sem abandonar o trema!) aquele romance insuportável-mas-que-tenho-que-ler e me afogar nas poesias do Gullar, Bandeira e Drummond sem culpa e sem pensar que ele pode pensar que eu sou uma Letrada de Fachada. Teria morrido, ou melhor: o matado. Não suporto olhares de reprovação. O que significa que posso estar ao lado dele sem odiar o meu cabelo, a minha bunda e a minha loucura. Significa que agora posso me levantar da mesa sem ter ajudar na louça, virar para trás e dizer: Tchau, estou indo para casa. Até. E subir na moto. Mais que isso, subir o morro que separa nossas casas. Mais ainda. Sentir subir em mim o orgulho em saber que eu consegui dormir sozinha na minha casa, na nossa cama e com gostinho de adeus mais um ser humano do planeta Terra, estou indo. E o que escuto antes de sair: “-Vamos fazer algo amanhã?”. A frase que eu temia. Que eu sempre esperava quando estava apaixonada. E que nunca vinha. Eu sabia. Uma mulher feliz e equilibrada deixa saudades. O que não dá certo é se apaixonar.
Mas hoje, passado tudo. Dor, raiva, choro, arrependimento, desarrependimento, pessoas novas, possibilidades novas, saudade, indecisão, rejeição, apelo, indiferença, diferença, indecisão, pele, saliva, ódio, gosto, desgosto, contragosto, liberdade, prisão, sossego e desassossego, culpa e desculpas, não vou mais fazer e tornarei a fazer sim, me pego pensando: Que graça tem fazer qualquer coisa sem estar apaixonada? Ô merda! E já sinto a sua falta, e já arrumei o meu cabelo, e já me preocupo com a minha bunda pequena! Mesmo sabendo que você vai olhar a bunda delas, des-girar disfarçadamente e me abraçar me perguntando qualquer coisa que eu adoraria te responder. É assim que você me pega. Mas você sabe como eu te pego?

O ganho em perder-te….


‘Há um muro de concreto entre os nossos lábios. Há um muro de Berlin dentro de mim…’


Perdas e ganhos… Perco tanto que até me penso. Ooops, penso tanto que até me perco. Até onde uma perda é, de fato, uma perda?
Passamos anos lutando com(tra) alguém. Às vezes se ganha, outras se perde… Normal. Enquanto ganhamos, está tudo bem. Quando perdemos, relutamos por vários momentos, não aceitamos, brigamos, e, com isso, sofremos, nos machucamos e até pagamos um preço muito alto pela próxima vitória. Porém, chega um momento em qua já não estamos mais tão dispostos assim a custear o nosso orgulho. Cansamos. E eu acho o cansaço preocupante, pois é aí que coloca-se na balança o que realmente vale o nosso sacrifício. Quando estamos cansados, tanto faz o canal que a televisão sintoniza, ou a temperatura da água que matará a nossa sede. Quando estamos cansados, grudamos o nosso gordo traseiro e descansamos. E nesse descanso assistimos a qualquer coisa que nos passa às vistas, sem reagirmos bravamente. É assim que descobrimos maravilhas escondidas em documentários que nunca veríamos estando descansados, mas é assim também que descobrimos horrores como o atual enredo inédito da novela global principal. Cansada descobri que não sou evitada, mas que me excluo de um mundo que não mais me completa. E se estou cansada (como podem ver, nem forças para paragrafear este texto tenho), é porque, em algum momento, perdi o meu fôlego e estou tentando retomá-lo. E ao assistir a um capítulo da novela de sempre, porém sem forças, percebo que posso ganhar muito com mais essa perda. Está muito caro. Não quero mais pagar. Até posso, mas agora não quero.

E as novas ofertas? Não sei, o mercado parece não estar para peixe…

A primeira missa do Brasil foi o maior programa de índio...