Querendo voltar…


Nossa. Mais de oito meses sem postar. Escrever para mim sempre foi um desabafo. Não só para mim, acredito. Sempre escrevi quando estava sentindo um vazio em mim. Não sei consolar as pessoas. Não sei se gosto de ser consolada, então escrevo. Nestes últimos oito meses, muita coisa mudou. A rotina é a mesma, mas troquei alguns vícios, abandonei outros e adquiri vários novos. Não mudei de emprego, mas troquei de função. Mudei de morada, mas na estante os livros seguem a mesma ordem. Dei mais uma chance para a minha felicidade e o novo amor me invadiu. Continuo com culpas, mas elas são por outros motivos. Sinto saudades. Muitas saudades. E dor, por não ter a capacidade de fazer com que as pessoas que mais amo sintam essa felicidade que agora caminha ao meu lado, mas cada um escolhe o seu próprio caminho, e deve ser responsável por si. Eu sempre disse isso.

Enfim, foram oito meses de abandono ao blog, mas de reencontro com a vida. E isso aqui é só uma louca vontade de voltar… Vou voltar! Beijitosss e, seguidores, retornem!!!

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(Apenas dois parênteses)



Vejo-me em uma crise que vai bem mais além da crise dos vinte-e-poucos-anos.
É uma crise de identidade. Uma crise de existência. Uma crise de insistência!

Mas, tudo evolui, inclusive eu:
-Aceitar que o Futuro do Pretérito também pode ser conjugado.
-Diminuir o ritmo, aumentar a intensidade.
-Se livrar do excesso de carga e esquecer as coisas certas.
-Não existe prêmio para quem doa amor.
-Ser feliz é uma questão de perspectiva…

(De repente, você se depara no meio do mar, literalmente. Com a melhor comida de sua vida, percebendo a leveza das gaivotas brincando no ar, desfrutando de uma companhia maravilhosa, e aí? Aí percebe que se tem muito mais a viver do que você supunha. Que se nasce todos os dias, que o hoje é tudo o que você tem e viveu nessa vida. E que, como diria Vinícius, ainda há tempo para ‘amar, viver, sofrer’…)

Leve me leve…



Tempos sem postar. Escrevo para aliviar as dores da alma. E não ter escrito é um bom sinal. Devagar as coisas vão se ajeitando, se encaminhando, se resgatando. Estar feliz é muito bom. Estar feliz é estar tranquila, serena, leve. É estar completa.

Estar completa é estar suficiente. Fechada para problemas, grilos, incomodações. Mais que suficiente, estou auto-suficiente. Não no sentido de me auto-completar, mas de saber exatamente o que me completa.

Leve, leve, muito leve,
Um vento muito leve passa,

E vai-se, sempre muito leve.
E eu não sei o que penso
Nem procuro sabê-lo.

(Alberto Caeiro)

(Sus)piro-(Res)piro…


Já detectei a minha doença: Sofro de SCE – Síndrome da Consciência Elástica. Sou exagerada, insensível, egoísta e prepotente. E isso faz com que eu nunca tenha razão. Por isso, a razão do outro sempre será maior e melhor que a minha. As minhas linhas dicotômicas são muito tênues. Dialogo comigo mesma o tempo todo. Mas não adianta. Eu sempre estarei errada. Isso é um auto-julgamento.

(Quero um amor maior que o meu).

Estou esperando socorro…



Coração apertado.
Eu que não tenho medo de tanta coisa, agora tenho medo de procurar a minha felicidade.
Tenho medo não encontra-la. Ela pode estar escondida embaixo da mesa, do meu travesseiro, do meu nariz.
Ela pode não existir mais. Eu posso estar me usando dela toda.
O medo é um sequestrador que não negocia resgate.
Eu tenho poucas fichas para entrar nessa aposta.
Tive os dedos das minhas mãos ceifados um a um, e agora já não sei mais com quantos posso contar.
A lua ainda está alta. O sol demora a reaparecer. As portas se entreabrem. Não sei mais o que é desespero e o que felicidade.

Preciso de auto-ajuda.

‘Todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente.’ (W.S)

O verso que a pena não quer escrever…


ciclo_da_vida

Hoje é um dia de término de ciclo. O ciclo da tristeza. Há um ano eu perdia para a morte o meu único sobrinho, Gustavo. Perder para a morte é triste. E há quem diga que a perda para a vida é pior. Não sei, cada um sabe da dor de seus próprios calos. Pois os meus calos doeram. E muito. Foi um ano de más lembranças. E a cada dia oito era aquele sofrimento. Mais um mês de aniversário (?) de morte. Todo o filme se reproduzindo. As dores no corpo, o sofrimento na alma, o sufoco no hospital. A angústia em saber que a morte foi o melhor. Que a vida poderia ser pior. Só quem passa por algo assim sabe o que é dor. As lembranças, os sinais, as despedidas, as suas últimas palavras que, mesmo apertadas eram de consolo. Ainda lembro muito claramente no hospital, eu, ingenuamente conversando com ele… Dizendo que sabia que ele não estava feliz mas que tudo daria certo e ele me respondendo com um sorriso: Mas eu estou feliz, tia! Foi uma lição. De vida, de amor incondicional, de aprendizado. E hoje, um ano depois da morte de seu corpo, eu sinto o Gustavo em mim, me fazendo cair em um buraco antes e provocando arranhões e impedindo que eu caísse num poço eterno, bem pior. Me soprando no ouvido, me puxando pela mão quando não mais quero levantar. Fugi inúmeras vezes dessas lembranças. Enfrentei-as outras vezes. Desenvolvi em mim fobias novas. Hoje eu tenho medo da morte. Não de morrer, mas da morte das pessoas que amo. Acabo me escravizando a suportar dores por medo de ser a última vez. Outras vezes têm sido bom. Sei, agora, pedir perdão. Não adiar problemas e desentendimentos. Mas tenho medo. E ao ouvir um Menestrel recitando Shakespeare: ‘as pessoas que amamos são tomadas de nós muito rapidamente, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras doces, pois pode ser a última vez…’ me acabo em lágrimas. Lágrimas doces e salgadas. Salgadas porque não disse a todos que queria o quanto são importamntes para mim. Doces porque tenho a tranquilidade na consciência de que disse, senti, demonstrei em TODOS os minutos que passei, longe ou perto do meu Gugui o quanto o amo intensamente.

E agora serei titi novamente… Meus sentimentos se renovam. O ciclo de dor se encerra e o Gustavo é um anjo bom, que sempre guiará os meus passos.

PS: EU ADORO VOCÊ! ( vai que você morra hoje, ou amanhã…)

Tristeza não tem fim…


Sou uma menina de sorte. Quando estou quase entregando os pontos sempre encontro um refúgio, um acalento. Acordei muito mal hoje por ter dormido mal. E dormi mal porque cansei. Ganância, egoísmo e competição acabam comigo. E como sou uma pessoa que tenho antecedentes depressivos, me cuido ao máximo para não me abalar porque quando me abalo tudo vêm à tona novamente.
Choveu. Fui para a chuva para lavar a alma. As lágrimas desaparecem na chuva. A força desaparece nas lágrimas. Não é possível viver uma meia vida. A quem eu quero enganar? Enquanto as pessoas sambam e bebem, existem milhares de crianças no hospital fazendo quimioterapia e esperando sangue ou um transplante de medula. Lembro do meu sofrimento ao pensar na família dessas crianças. E ao lembrar do meu sofrimento eu me recordo que também sou uma pessoa que sente dor. Por que eu sou compreesnsiva com a dor dos outros se a minha dor sempre é pisada e passada por cima?
A escuridão já vinha tomando conta de mim novamente quando, de repente encontro uma leitura para me distrair. Era uma repotagem sobre o Nietzsche. Sobre a pessoa Nietzsche.
Era ele me dizendo que não devemos agir como coveiros do presente. Que devemos conhecer a nossa capacidade de crescer por nós mesmos, assimilar o passado, cicatrizar as feridas, preparar perdas e reconstruir as formas destruídas. Por isso sou uma pessoa de sorte. Ninguém me disse antes que deveríamos preparar as nossas perdas, por isso sofro hoje, mas sei que de alguma forma sempre haverá aquele fiozinho de luz soprando ao meu ouvido e me mostrando a mola no fundo do meu poço.