Você conhece Ana C. ?

Dia destes, enquanto sacrificava meus poucos neurônios na escritura (?) da minha dissertação, eu pensava (!): O maior paradoxo (e isso não é uma hipérbole) que temos na vida é em relação ao conhecimento. Quanto mais lemos ou estudamos, mais ignorantes ficamos. Se deixássemos nosso conhecimento parado, estático (como muitos o fazem), não sentiríamos essa sensação de importência em relação a ser/parecer/saber… A cada nova descobeerta, vem junto aquela avalanche de pensamentos que realmente são capazes de, se não mudar, pelo menos alterar significativamente o nosso modo de pensar. E junto com a avalanche, segue um abismo: o que eu estava fazendo até agora que não tinha pensado sobre isso antes?

Ana Cristina Cesar foi uma doce descoberta recente. Um      verdadeiro mito romântico da poesia contemporânea brasileira. Dona de uma escrita refinada por ser uma leitora compulsiva, a poeta tem publicado e também em seus poemas inéditos e dispersos, uma escrita poética em prosa se utilizando do tom confessional: um quebra-cabeça deixado para a posteridade.

A vida de Ana Cristina foi como a de seus textos: curta. Interrompida aos 33 anos, sua obra é pequena, mas significativa, pois revela o olhar de uma escritora que se colocou na vanguarda de seu tempo e marcou definitivamente a moderna poesia brasileira. Através de seus textos curtos, poemas fragmentados, cartas, páginas de diário, criou um jogo com o qual a poeta brinca e celebra a vida. Ana Cristina Cesar quebrou regras, ousou além da frase, misturou sombra e luz.  Não hesitou em se apropriar da fragmentação do mundo para, em seguida, recriar a seu modo imagens que sensibilizam o leitor.  A sua consciência em misturar prosa e poesia fez com que seus poemas tenham rara qualidade.

Poema do Caderno de desenho, publicado pela Livraria Duas Cidades, em 1980:

Noite Carioca:


Diálogo de surdos, não: amistoso no frio. Atravanco na contramão. Suspiros no contrafluxo. Te apresento a mulher mais discreta do mundo: essa que não tem nenhum segredo. (
A teus pés – 1982)


Esvoaça… Esvoaça… “É como a vela que se apaga, E a fumaça sobe e se atenua.

É o amor fraco que se apaga,

Não adiantam poemas para a lua.
Sofre o homem, o amor acaba E a doce influência esvoaça

Como o fio adelgaçado

De fina e translúcida fumaça Esvoaça, esvoaça…

Atenua o amor, Atenua a fumaça.

Para que tanta dor? E o amor que vai sumindo,

Adelgaça, esvoaça, esvoaça… (Inéditos e Dispersos – (1963))


Lá Fora


há um amor que entra de férias. Há um embaçamento de minhas agulhas nítidas diante dessa boca bisca de mulher. Há um placar visível em altas horas, pela persiana deste hotel, fatal, que diz: fiado, só depois de amanhã e olhe lá onde a minha lâmina cortante, sofrendo de súbita cegueira noturna, pendura a conta e não corta mais, suspendendo seu pêndulo de Nietzsche ou Poe por um nada que pisca e tira folga e sai afiado para a rua como um ato falho deixando as chaves soltas em cima do balcão
. (A teus pés – 1982).

Procurei e não encontrei nenhum vídeo muito espetacular sobre Ana Cristina ou com os seus versos, mas aí vai um.

No Twitter, você pode conferir fragmentos desta poeta, seguindo o perfil

anacristina_c

E por falar em Twitter, resolvi fazer o meu  TOP FIVE, as cinco melhores mini-postagens do dia (sempre do dia anterior), será que você está aqui?

5) millorfernandes

Presidente Lula: “Em que exato momento histórico nossa ignorância passou a ser virtude cívica?” http://www2.uol.com.br/millor/index.htm about 22 hours ago via web

4) tati_bernardi

O sofrimento se conforma um pouco por dia, até virar lembrança. about 22 hours ago via web

3) gracecarioka

a professora falo que eu devia agradece muito a princeza isabel pela vida que tenho ela me confundiu e acho que eu era filha da princeza about 22 hours ago via web

2) FernandoPessoa

Boca que tens um sorriso como se fosse um florir, teus olhos cheios de riso dão-me um orvalho de rir. about 21 hours ago via web

1) monicaiozzi

“Monica, para o que você faz, tá bom!” by Marina Silva – Obrigada @silva_marina!!! about 18 hours ago via web

Sem mais, como diria Ana C., é sempre mais difícil ancorar um navio no espaço… Beijinho.

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