O verso que a pena não quer escrever…

ciclo_da_vida

Hoje é um dia de término de ciclo. O ciclo da tristeza. Há um ano eu perdia para a morte o meu único sobrinho, Gustavo. Perder para a morte é triste. E há quem diga que a perda para a vida é pior. Não sei, cada um sabe da dor de seus próprios calos. Pois os meus calos doeram. E muito. Foi um ano de más lembranças. E a cada dia oito era aquele sofrimento. Mais um mês de aniversário (?) de morte. Todo o filme se reproduzindo. As dores no corpo, o sofrimento na alma, o sufoco no hospital. A angústia em saber que a morte foi o melhor. Que a vida poderia ser pior. Só quem passa por algo assim sabe o que é dor. As lembranças, os sinais, as despedidas, as suas últimas palavras que, mesmo apertadas eram de consolo. Ainda lembro muito claramente no hospital, eu, ingenuamente conversando com ele… Dizendo que sabia que ele não estava feliz mas que tudo daria certo e ele me respondendo com um sorriso: Mas eu estou feliz, tia! Foi uma lição. De vida, de amor incondicional, de aprendizado. E hoje, um ano depois da morte de seu corpo, eu sinto o Gustavo em mim, me fazendo cair em um buraco antes e provocando arranhões e impedindo que eu caísse num poço eterno, bem pior. Me soprando no ouvido, me puxando pela mão quando não mais quero levantar. Fugi inúmeras vezes dessas lembranças. Enfrentei-as outras vezes. Desenvolvi em mim fobias novas. Hoje eu tenho medo da morte. Não de morrer, mas da morte das pessoas que amo. Acabo me escravizando a suportar dores por medo de ser a última vez. Outras vezes têm sido bom. Sei, agora, pedir perdão. Não adiar problemas e desentendimentos. Mas tenho medo. E ao ouvir um Menestrel recitando Shakespeare: ‘as pessoas que amamos são tomadas de nós muito rapidamente, por isso sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras doces, pois pode ser a última vez…’ me acabo em lágrimas. Lágrimas doces e salgadas. Salgadas porque não disse a todos que queria o quanto são importamntes para mim. Doces porque tenho a tranquilidade na consciência de que disse, senti, demonstrei em TODOS os minutos que passei, longe ou perto do meu Gugui o quanto o amo intensamente.

E agora serei titi novamente… Meus sentimentos se renovam. O ciclo de dor se encerra e o Gustavo é um anjo bom, que sempre guiará os meus passos.

PS: EU ADORO VOCÊ! ( vai que você morra hoje, ou amanhã…)

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2 comentários sobre “O verso que a pena não quer escrever…

  1. Os momentos de perda são momentos difíceis, em que nos questionamos o sentido da vida. O jeito é ter força para cada um construir um pouco deste sentido. Fica bem!AbçãoGustavohttp://www.tchubaduba.blogspot.com/

  2. eu perdi minha mãe de um jeito bem foda e não desejo isso pra ninguém. ela era a melhor pessoa do mundo e não merecia aquilo, ver a pessoa que eu acreditava ser a pessoa mais forte no mundo ser devorada daquele jeito por uma doença maldita não foi fácil. não sei se ela foi pra um lugar melhor, prq não acredito em céu ou inferno. só sei que ela faz uma puta falta e o que mais dói é ela não estar aqui compartilhando das coisas que eu e meus irmãos estamos conquistando.

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